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Sábado, Março 15, 2008
O tempo passa para todos, e descobrimos que assim que ele passa por nós deixa um rastro de desgaste em nossas vidas. Digo isto com muita propriedade, pois, é uma coisa que acontece de fato, e uma prova do que acabei de dizer relatarei agora. Veja você que dia desses fui convidado para ir a uma churrascaria e depois a uma pizzaria na companhia de uns velhos conhecidos. Até aí sem problemas, você deve estar pensando assim. No entanto, o convite era para que fossemos a estes lugares no mesmo dia.
Em princípio imaginei que isto não fosse possível de acontecer. Porém, ao longo desta incursão alimentícia pude comprovar minha teoria, ou seja, não era mesmo possível de acontecer... Ã... Porém, já estava tarde demais para tomar qualquer decisão contrária. E quando dei por mim já estava a mostrar meu lado mais animalesco em cima dos pratos e copos, que, aliás, estes não ficavam vazios por mais de dez segundos. Tenho de admitir que os garçons dos lugares eram bastante eficazes em suas atividades profissionais.
Falando nisso, lá pelas tantas um dos garçons resolveu colaborar com minha turma... Mas tenho a impressão que ele, este magnífico profissional dos copos e pratos e talheres, deu mais atenção para mim, pois minha condição não era das melhores. Poderia dizer que dentre a tamanha lambança desempenhada por todos que lá estavam, meu desempenho era o pior entre os piores. Veja que coisa mais absurda; no primeiro momento fomos à churrascaria e comemos e bebemos tudo bonitinho, sem muitos exageros. Poderia perfeitamente encerrar a noite naquela etapa, mas não. Tinha um sujeito que insistia sem parar para que fôssemos à pizzaria, aliás, sempre tem um sujeito insistindo para fazermos algo que não presta. Mas tudo bem, a cagada já estava a caminho de ser feita mesmo. Então deixei que tudo levasse à breca de vez.
Bom, deixe-me continuar com a narrativa; o foco, sem dúvida, estava na pizzaria. Lá que as coisas aconteceram de fato. Se bem que gostaria imensamente de não entrar em todos os detalhes do acontecido, mesmo por que não lembro de tudo mesmo. Só sei dizer que depois de fazermos aquela bagunça nos corredores, nas mesas e em todos os lugares do estabelecimento era momento de nos retirarmos de lá. Sorte nossa que o proprietário, um sujeito ligeiramente transtornado por alguma moléstia que obtivera ainda na infância era grande, bigodudo, com o olhar severo e profundo e, ainda, mal-encarado. Como foi que ninguém morreu? Por sorte... Nossa, ele era paciente. Caso contrário teríamos parado em alguma vala comum ou alguma cova rasa. Falando em cova rasa lembrei de um filme com este título. Sei que não tem nada haver com o que estou contando mais tudo bem, gostei do que assisti... Ã... Onde é que eu estava mesmo? Ah, sim; saímos de lá falidos, pois gastamos o que tínhamos que o que não tínhamos. Alguém da turma penhorou o relógio na hora de fechar a conta. Tudo bem, o relógio não era o meu.
Sei dizer que a volta de lá foi, digamos, diferente. Dirigir era uma coisa rara, pois ninguém conseguia sequer ficar sobre os pés sem cambalear e rodopiar e zonzear. Assim sendo cada um de nós saiu da pizzaria direto, cada qual para sua casa, dentro de uma viatura do corpo de bombeiros. Duvida disto? Pergunte então para o comandante desta corporação. Se ficou zangado com nossas atitudes? Logicamente que não, pois ele foi o que mais comeu e bebeu e vomitou naquela pizzaria. Sem dúvida que a presença dele intimidou o proprietário do estabelecimento, caso contrário... Já disse o que poderia ter acontecido. Mas tudo bem. Ah, o dia seguinte foi de lascar. Eu estava tão cheio, mas tão cheio que meu corpo parecia uma pizza com a borda recheada. Azia? Se tive azia? Mas claro que sim. Aliás, nunca tomei tanto antiácido em toda a minha vida. Alguma pergunta mais? Não? Então chega de falar besteiras, vou deitar um pouquinho... Ainda estou enjoado.
Comer, comer e comer aos montes não é para qualquer um; isto é serviço para profissionais.
Mario Bourges 18:43 [+]
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